Pés no Chão para a Vitória: A Caminhada Cega até o Tanque de Siloé
No meu blog, eu sempre falo sobre a importância de ter os "Pés no Chão da Vitória". Para mim, isso significa uma fé que não vive de ilusões, mas que caminha com propósito e realismo, mesmo quando o terreno é difícil.
Recentemente, em um estudo profundo sobre o capítulo 9 de João, percebi que a história do cego de nascença é, talvez, a ilustração mais perfeita desse lema.
Muitas vezes, quando lemos essa passagem, pulamos para o milagre. Mas hoje, quero convidar você a parar e caminhar com ele.
O Toque Estranho da Recriação
A cena começa com uma pergunta teológica fria: "Quem pecou?" Os discípulos viam um problema. Jesus, porém, viu um propósito.
E o que Ele faz? Algo estranho. Ele não apenas fala. Ele se abaixa, cospe no chão e faz lodo.
Pensei muito sobre isso. Por que o barro? Por que o pó?
E então, a conexão me atingiu como um relâmpago: Gênesis 2:7. "E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra".
Naquele momento, Jesus não estava apenas curando. Ele estava agindo como o Criador original. Com as próprias mãos no barro, Ele estava, simbolicamente, nos mostrando que tem o poder de nos recriar. Ele estava pegando uma obra que, aos olhos do mundo, parecia "inacabada" ou "quebrada" e a estava completando com Suas próprias mãos.
Às vezes, para nos dar a vitória, Deus precisa nos levar de volta ao nosso "pó", à nossa matéria-prima, para nos refazer.
A Vitória Exige Caminhada
Mas o milagre não aconteceu ali. E esta é a parte central.
Jesus unta os olhos do homem e, em vez de dizer "veja!", Ele lhe dá uma ordem que parece quase cruel: "Vai, lava-te no tanque de Siloé."
Tente se colocar no lugar daquele homem.
Você está cego desde que nasceu.
Um profeta misterioso acabou de colocar lama nos seus olhos.
E agora, você precisa navegar pelas ruas movimentadas de Jerusalém, parecendo um tolo, ainda cego, para encontrar um tanque específico.
Quantos de nós teríamos dito: "Senhor, se podes curar, cura-me aqui! Por que tornar as coisas mais difíceis?"
Mas é aqui que os "pés no chão" encontram a "vitória".
A fé daquele homem não foi passiva. Ele não ficou sentado esperando um anjo mover a água, como em Betesda: João 5: Ele teve que se levantar. Ele teve que obedecer a uma palavra, mesmo sem ver nenhuma evidência. Ele colocou seus pés no chão e começou a caminhar em direção a uma promessa que ele só tinha ouvido.
A vitória dele não estava no conforto. Estava no fim de uma caminhada de obediência.
O Destino: Um Tanque Chamado "Enviado"
E por que aquele tanque? Por que Siloé?
O próprio evangelista João faz questão de parar a história para nos dar a tradução: "Siloé (que significa Enviado)."
O mistério é profundo.
Jesus, o grande Enviado do Pai (como Ele diz em todo o Evangelho), manda o homem cego se lavar no tanque que se chama "Enviado".
A cura não estava na água. A cura estava no encontro com o "Enviado". Aquele homem, ao obedecer a Jesus e ir a Siloé, estava, em um ato de fé, mergulhando na própria missão de Cristo.
E o que acontece quando ele obedece? "Ele foi, lavou-se e voltou vendo."
De Curado a Enviado
Mas a história não termina aí. E é aqui que a nossa missão se conecta à dele.
A palavra grega para "enviado" (Siloé, ou Apestalmenos) é da mesma raiz da palavra "Apóstolo" (Apostolos). Ambas significam "aquele que é enviado".
No momento em que aquele homem foi curado pelo "Enviado" no tanque do "Enviado", ele mesmo se tornou um "enviado".
O resto do capítulo 9 não é sobre o homem aproveitando sua nova visão. É sobre ele se tornando uma testemunha poderosa, um "apóstolo" com "a" minúsculo, defendendo corajosamente Aquele que o curou, mesmo diante dos fariseus.
A cura dele não foi o fim da linha. Foi o início de sua comissão.
Para nós, hoje, a lição é a mesma. Manter os "Pés no Chão da Vitória" é entender que a fé exige uma caminhada, muitas vezes uma caminhada "cega", baseada apenas na voz do Mestre.
E quando a nossa cura chega, quando a nossa visão é restaurada, ela não é apenas para nós. É para que, lavados no "Enviado", possamos nos tornar "enviados" também.
A sua vitória não é o seu destino final. É a sua qualificação para a sua missão.
Continue caminhando. O tanque espera.


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